menu
Colégio S. Gonçalo Apoiodo pelo Ministério da Educação
Colégio em 1931 Colégio em 1971 Colégio em 2012
1931 1971 2012
Menu Horizontal pesquisar
Mediateca
AS MEDIATECAS ESCOLARES E AS NOVAS TECNOLOGIAS


António Costa

«Pensem no computador não como uma ferramenta, mas como um meio.»  Brenda Laurel

Toda a inovação, toda a grande revolução traz no seu bojo a questão da exclusão. Quando Gutemberg revolucionou o mundo com a invenção da imprensa, ele criou um novo tipo de iletrados e analfabetos, que até então não existiam.
Em 1968, com a revolução científica do ensino iniciada com Skinner, estávamos no princípio de uma nova era, em que a educação iria ter um papel fundamental no avanço científico da Humanidade e da Sociedade Industrial e Tecnológica.
Segundo esta concepção do ensino e da formação, a pedagogia deve ser filha do rigor. Ensina-se metodicamente, fornecendo aos professores e formadores técnicas provadas e cientificamente eficientes. Pretende-se com estas novas tecnologias criar um novo método pedagógico eficaz e rigoroso que promova a produtividade escolar e o desenvolvimento social.
Hoje, ninguém tem dúvidas que os professores e formadores devem mudar as suas velhas práticas pedagógicas e promover o surgimento de um sistema escolar consciente dos seus fins, seguro dos seus métodos e sustentado por cidadãos dinâmicos e conscientes.
O ensino programado, cujos princípios assentam no ensino assistido por computadores e na pedagogia por objectivos, está em regressão no conjunto dos países que se tinham dedicado ao seu desenvolvimento. Uma das razões fundamentais desta falência está na circunstância de, até aqui, se ver os computadores apenas como meio pedagógico e motivador - a aprendizagem pela informática permite o desenvolvimento do pensamento e a introdução de novos conteúdos. No entanto, a relação escola/sociedade só se modifica, não somente mudando os conteúdos, mas também modificando o paradigma pedagógico. Isto é, o computador e os meios audiovisuais deverão melhorar a rentabilidade do sistema educativo, mas também deverão descentrar o ensino do saber, transformando-se em instrumentos de motivação, de descoberta e de aprendizagem - é o que se chama informática não directiva.
Hoje, as mediatecas são uma solução moderna e eficaz que promove essa rentabilidade e essa motivação extra.
As correntes que fundamentam o ensino programado privilegiam o indivíduo e a individualização, entrando em contradição com as correntes de inovação que privilegiam o grupo e o desenvolvimento social.
Este novo modelo não pode ser generalizado e inserido no circuito produtivo, porque surge como uma operação demasiado dispendiosa. Esta situação é acentuada pelas dificuldades de renovação tecnológica no enquadramento escolar.
Uma das razões porque o espírito de Skinner neste modelo não deu resultado, foi “por não se poder antecipar o tempo do futuro: a sociedade produz mais o homem, do que o homem produz a sociedade, e numa sociedade caracterizada por uma tecnologia avançada, o homem, o indivíduo, é esquecido como pessoa e é visto como o instrumento e o objecto de rentabilidade, de produtividade e desenvolvimento”.
Apesar de tudo, o ensino programado prossegue de outras formas, nomeadamente com a introdução e valorização da informática nas escolas.
A educação informática impõe-se a todos os níveis do aparelho escolar para se adaptar à nova revolução do mercado de trabalho nas sociedades industriais. A escola pretende apanhar o seu tempo através da informática, transformando-se esta num meio e/ou objecto de ensino.
Para uns, os meios eficazes e sofisticados fazem falta na educação e na formação; para outros, os aparelhos audiovisuais, permitindo a criatividade e a inovação, ao serem cada vez mais complexos e sofisticados, tornam-se inabordáveis pelas crianças. As últimas investigações realizadas mostram que a utilização dos audiovisuais requer uma dotação de meios e um nível de especialização que ultrapassam as possibilidades das classes normais. Além disso, certos investigadores têm verificado a regressão das técnicas audiovisuais: a maior parte dos suportes vídeo e áudio utilizados não facilitam as tarefas criativas. Verifica-se que as criações sonoras na sala tendem a tornar-se raras e que o objectivo essencial dos professores e formadores não é promover o trabalho livre dos discentes.
Concluindo, tudo se passa como se a pedagogia tradicional se acomodasse melhor ao papel informático dos auxiliares audiovisuais, do que à pedagogia activa, embora renovada no seu papel criador.
Assim, que papel está actualmente destinado à Escola? A fazer fé nas palavras dos agentes políticos e alguns pedagogos, à Escola cabem todos os papéis: transmitir conhecimentos, certificar saberes, forjar valores, estruturar aprendizagens, desenvolver aptidões, incrementar paradigmas, moldar comportamentos, integrar socialmente, preparar para a cidadania, etc., etc.. Ou seja, a Escola (como todos os nela envolvidos bem sabem) é cada vez mais o espaço por onde tudo passa, por onde tudo se transmite, por onde todos os problemas se equacionam e (tendencialmente) se resolvem. Deste modo, a Escola é tanto mais tudo, quanto menos a sociedade e os tais agentes políticos têm soluções para os mesmos problemas que é suposto a Escola resolver. Num momento em que a família se forja em novos paradigmas e nela cada vez menos os jovens têm modelos de referência, num momento em que os antigos meios de socialização vêem a sua influência cada vez mais reduzida (Igreja, clubes, partidos, movimentos associativos de jovens, etc.), é à Escola que todos apontam o dedo no sentido de resolver os problemas que eles mesmos nem sempre sabem ou conseguem resolver.
Que a sociedade está em transformação já o sabemos. Que a escola, que é um reflexo dessa sociedade, também se transforma necessariamente, também o sabemos. Como mudar, o que mudar, a que ritmo mudar? São estas as questões a que importa responder.
Se é um facto que o acesso à informação (logo, saber e conhecimento) e os meios de acesso a essa informação são cada vez mais eficazes e diversificados, é igualmente um facto que a Escola não se pode alhear de tais fenómenos. É um facto que a Escola tem de passar a integrar saberes vários, passar a integrar várias fontes de acesso à informação, tem de saber explorar e ensinar a explorar esses saberes e essas fontes.
Cada vez menos a transmissão de conhecimentos e o afirmar de modelos passa pelo espaço-aula. De facto, os nossos alunos passam mais horas defronte da TV do que a escutar os seus professores. E aqueles que possuem as janelas para a nova sociedade de informação (o PC com leitor de CD-rom e de cartões, a Internet, a TV por cabo, etc.) têm um acesso ilimitado a informação que nenhum ser humano pode transmitir entre quatro paredes.
Por tudo isto, a Escola do presente (e não apenas a do futuro) terá que ser muito mais o veículo que aponta caminhos, que orienta saberes que são dispersos, que estrutura conhecimentos, que humaniza futuros cidadãos, que gere hipóteses.
Considerada a necessidade de a Escola acompanhar o avanço da sociedade de informação em que nos movemos, importará questionar de que forma ela o pode fazer. Sem dúvida que um exemplo se impõe actualmente - as mediatecas escolares. Estes espaços possibilitam a confluência de vários meios de informação, expressão e documentação.
Apesar das várias fases de transformação e dos melhoramentos de que beneficiou, a nossa biblioteca, enquanto espaço físico e enquanto centro de documentação e informação, não satisfaz as necessidades da Escola moderna capaz de responder às expectativas de pais, discentes e educadores. Como tal, as limitações exigem que se crie um espaço complementar – uma MEDIATECA.

Excerto do projecto apresentado à direcção do Colégio de S. Gonçalo, aconselhando a criação de uma Mediateca Escolar (texto adaptado).

©  Grupo de informática/informática de gestão @ Colégio de S. Gonçalo - AMARANTE - 2010/2012
users online:       IP: 54.198.68.152: