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Actividade

 

 

 

 

 

 
A Lisboa: de Pessoa e Saramago

Nos dias 10 e 11 de fevereiro, um grupo de 40 alunos do 12º ano (turmas 1A1, 4A1, 4A2 e 1A2) realizou uma visita de estudo a Lisboa com o propósito de percorrer os Roteiros Pessoano e Saramaguiano, projeto associado ao estudo da obra poética ortónima e heterónima de Fernando Pessoa, assim como do romance O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago.
A atividade foi uma visita de estudo e não um passeio, pois os dois dias passados em Lisboa foram totalmente dedicados a Pessoa e Saramago.
Na manhã do dia 10, os alunos tiveram uma visita guiada à Casa Fernando Pessoa. Inaugurada em 1993, a Casa Fernando Pessoa fica na Rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique, foi concebida pela Câmara Municipal de Lisboa, e é a casa onde Fernando Pessoa morou nos últimos 15 anos da sua vida (1920-35). Hoje é uma ativa casa de cultura, onde se pode visitar o quarto do poeta, com a cómoda original, sobre a qual, no chamado “dia triunfal”, Pessoa deu voz aos seus principais heterónimos. Objetos pessoais como a máquina de escrever, os óculos e blocos de apontamentos, entre outros, complementam o acervo da Casa Fernando Pessoa que alberga uma sala multimédia – o Sonhatório – e ainda a preciosa biblioteca particular do autor, digitalizada e disponível para consulta online. Neste universo polivalente, realizam-se colóquios, espetáculos, debates e conferências sobre literatura, exposições e oficinas para o público infantil. Tem também serviço de visitas guiadas por marcação e uma biblioteca, especializada em poesia e em Fernando Pessoa, de livre acesso. A Casa Fernando Pessoa dispõe igualmente de um restaurante, o Flagrante Delitro.
Depois do almoço na zona do Rossio (no caso dos professores, o repasto aconteceu, como não podia deixar de ser, num dos espaços emblemáticos da geografia pessoana – o restaurante A Licorista/O Bacalhoeiro, no nº 218 da Rua dos Sapateiros), os alunos deslocaram-se até à Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, para a visita guiada à exposição permanente, assim como uma pequena palestra sobre a vida e obra de José Saramago. Posteriormente, teve lugar o passeio literário que passou por alguns dos locais mais representativos dos 17 itinerários presentes no romance O Ano da Morte de Ricardo Reis. Sumariamente, o grupo deslocou-se desde O Campo das Cebolas até ao Alto de Santa Catarina, com uma paragem obrigatória junto ao Hotel Bragança, espaço central do romance, onde o protagonista, Ricardo Reis, fica depois de regressar do Brasil por ocasião da morte de Fernando Pessoa.
No dia 10 à noite, a visita de estudo levou o grupo de alunos ao Teatro D. Maria II para verem a peça “O Grande Dia da Batalha”, uma peça construída em dois planos, encenada por Jorge Silva Melo, a partir de "O Albergue Noturno", de Gorki. No cenário, em fundo, existia um albergue onde os problemas relevados são comuns a todos, enquanto que, de quando em vez, à boca de cena, um coro de vagabundos vinha falar sobre os excluídos dos tempos modernos. Esta dualidade no decorrer da peça não consta do original de Maximo Gorki. É uma das "injeções" que Jorge Silva Melo foi introduzindo na peça, querendo com isso provocar a consciência do público, levando-o a refletir sobre «o abismo da precariedade, da miséria e da desgraça que cada dia mais se abre debaixo dos nossos pés, neste agónico capitalismo em que nos afundamos.».
Terminada a peça, com os pés cansados e a consciência em sobressalto, o grupo descansou no Hotel Berna.
Na manhã do dia 11, cumpriu-se um dos momentos marcantes da atividade: a visita ao Museu de Arte Moderna, na Fundação Calouste Gulbenkian. A Coleção Moderna data da criação da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1956, e encontra-se reunida no edifício que se localiza na parte sul do jardim, projeto do arquiteto Sir Leslie Martin (1983), sendo considerada a mais completa coleção de arte moderna portuguesa. Inevitavelmente, a coleção é mais representativa na segunda metade do século XX, sobretudo após 1983. A arte portuguesa está, no entanto, representada desde o início do século XX. Este acervo reúne ainda um importante núcleo de arte britânica do século XX. De Amadeo de Souza-Cardoso a Paula Rego ou Vieira da Silva, a Coleção Moderna mostra alguns dos artistas portugueses mais conceituados internacionalmente e continua a aumentar a sua coleção de obras de arte contemporânea através de doações e aquisições. No piso inferior, propõe uma introdução à história de Portugal ao longo do século passado. Nos pisos superior e térreo, as mostras de pintura e escultura, começando no início do século XX e trazendo-nos até à atualidade. No contexto desta nova apresentação, a seleção de obras é rotativa ao longo do tempo, refletindo diferentes aspetos da coleção, diversas leituras e novas aquisições.
Esta visita, denominada «Isto é arte?! Desafios e questões da arte contemporânea», justificou-se pela necessidade de permitir aos alunos aprender a refletir criticamente sobre o «conceito de arte», bem como desmitificar alguns preconceitos sobre as motivações da arte moderna e contemporânea. As duas guias que acompanharam o grupo, a Raquel Feliciano e a Carla Rebelo, fizeram um excelente trabalho, provocando e educando, pois o objetivo era estimular a abertura da mente, procurando esclarecer que ser bom a processar informações não significa que se tenha conhecimento, e que ser racional não é o mesmo que pensar, daí que, quando estamos perante uma obra de arte moderna ou contemporânea, não chega dizer o que vemos, é necessário chegar à intencionalidade comunicativa do autor e da sua obra, e isso só se sabe se se aprender a pensar crítica e reflexivamente.

Por fim, na parte da tarde, teve lugar a última parte do programa de visitas: o passeio literário «Lisboa de Fernando Pessoa». Acompanhados pelo guia Fabrizio Boscaglia, investigador sobre Literatura, Filosofia e Religião na Universidade de Lisboa e na Universidade Lusófona, o grupo percorreu as ruas, cafés e livrarias da baixa de Lisboa, do Chiado ao Martinho da Arcada, de modo a conhecer melhor os passos do poeta Fernando Pessoa e dos seus heterónimos.
Mais uma vez, o lema que motivou esta visita de estudo cumpre o espírito das palavras de Benjamin Franklin quando disse “Diga-me e eu esquecerei, ensine-me e eu talvez relembre, envolva-me e eu aprenderei.”. Que assim seja!
O professor António Costa


* Mais fotos em: http://www.csgnet.org/csg/galeria.asp


Publicado em: 14/02/2018 06:01:23 Partilhar

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